Voando alto

Voando alto

sábado, 31 de agosto de 2013

Da Série: Palavras



Vivendo sem entender a vida

Sem tentar entender

Sem querer entender

Prefiro florescer...

Vivendo no silêncio das palavras.



Patrícia Belmonte




terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sem Rumo



Sem um rumo certo a seguir.

Sem um porto seguro para aportar.

Sigo em mares desconhecidos e turbulentos, por vezes de maré serena, ora outras, de maré revoltosa.

Não tenho olhos além, apenas me deixe navegar.

Se chegarei ou não em algum destino, isso só o tempo nos dirá, pois é o tempo que faz esse mundo girar e só ele tem a capacidade de nossa vida mudar.

E é nas mãos de Poseidon que me entrego.

E deixo assim, a maré me guiar.



Patrícia Belmonte


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Meu Pequeno Mundo



Meu mundo é pequeno

Não precisa de muita coisa para existir

Um sol para aquecer

Uma lua para adormecer

Estrelas para sonhar

Um coração apaixonado

E você sempre ao meu lado.



Patrícia Belmonte


Da Série: Saudade



Quando a noite fria e chuvosa chega

Procuro um canto

Para descansar meu corpo e meu pranto

No doce aconchego do lar

Deitada na cama

Na penumbra do quarto

Coloco-me a pensar

Na tristeza da tua ausência

E é nesse momento

Que fecho meus olhos

E passo então a sonhar

Com a alegria de um dia te reencontrar.



Patrícia Belmonte


Palavras de Paulo Leminski


"Aos 17 anos todo mundo é poeta, junto com as espinhas da cara, todo mundo faz poesia. Homem, mulher, todo mundo têm seu caderninho lá dentro da gaveta, e têm os seus versinhos que depois ele joga fora ou guarda como mera curiosidade. Ser poeta aos 17 anos é fácil, eu quero ver alguém continuar acreditando em poesia aos 22 anos, aos 25 anos, aos 28 anos, aos 32 anos, aos 35 anos, aos 40 anos, eu estou com 41, aos 45 anos, aos 50, aos 60 anos, até você encontrar um poeta, por exemplo, como Drummond ou como o admirável Mário Quintana que são poetas que estão fazendo poesia há mais de 60 anos e há mais de 60 anos que a poesia é o assunto deles. Então eu acho que 90%, mais! 99% dos poetas que estão fazendo poesia hoje, daqui a dez anos eles vão estar fazendo outra coisa, porque vem a vida, vem os filhos, vem preocupações com dinheiro, vem as ambições do consumo, vem a necessidade de comprar isso, comprar aquilo, de adquirir uma casa na praia e tal, e tudo começa a se tornar mais importante do que a poesia. A poesia é uma espécie de heroísmo, você continuar ao longo dos anos acreditando nessa coisa inútil que é a pura beleza da linguagem, que é a poesia, é um heroísmo, é uma modalidade quase, às vezes eu gostaria de acreditar, de santidade. É uma espécie de santidade da linguagem. Porque a poesia não vai te fazer rico de jeito nenhum, é muito mais fácil você abrir uma banquinha e vender banana do que fazer poesia. Quer dizer, para você continuar acreditando em poesia é preciso muita santidade."


Paulo Leminski




Um Dia Após o Outro - Tiago Iorc (Música)


Pra começar
Cada coisa em seu lugar
E nada como um dia após o outro
Pra que apressar?
Se não sabe onde chegar
Correr em vão se o caminho é longo
Quem se soltar, da vida vai gostar
E a vida vai gostar de volta em dobro
E se tropeçar
Do chão não vai passar
Quem sete vezes cai levanta oito
Quem julga saber
E esquece de aprender
Coitado de quem se interessa pouco
E quando chorar
Tristeza pra lavar
Num ombro cai metade do sufoco
O novo virá
Pra re-harmonizar
A terra, o ar, a água e o fogo
E sem se queixar
As peças vão voltar
Pra mesma caixa no final do jogo
Pode esperar
O tempo nos dirá
Que nada como um dia após o outro
O tempo dirá
O tempo dirá
O tempo é que dirá
E nada como um dia após o outro...


(Tiago Iorc)


Vídeo: Poesias de Florbela Espanca Na Voz de Miguel Falabella



Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...



(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)


domingo, 25 de agosto de 2013

Da Série: Saudade



Saudade me faça à delicadeza

Pelo menos essa noite

Preciso descansar

Deixe-me dormir um instante

Apenas para repousar

Mas assim que amanhecer

Podes voltar

Pois sabes bem que aqui

Sempre será o seu lugar.



Patrícia Belmonte

Da Série: Sonhos



Minhas fantasias são um mundo de difícil acesso para quem não aprendeu a sonhar.


Patrícia Belmonte


Minha Poesia é Flor de Lótus



Minha poesia é como a flor de lótus, nasce do lodo, da dor, da tristeza e da solidão.

Não me pergunte o quanto me custam tantas palavras tristes e outras tantas palavras doces, quando o que importa de verdade é apenas renascer.

São tantos personagens reais nesse mundo de letras irreal.

E assim como a flor de lótus diante a realidade suja, e humanos sem coração, eis que surge uma bela flor e muitas palavras de amor.



Patrícia Belmonte

Terminei Indo - A Banda Mais Bonita da Cidade (Música)



Eu já sei caminhar em tantas nuvens
E posso visitar de vez em quando o chão
No alto do parque, por cima das árvores eu vejo você

Antes de bater o vento eu já pensava em voar
Antes do sol clarear eu desapareci
Por cima dos prédios, estrelas vermelhas não brilham no céu

Eu sou das ruas de qualquer lugar
Existo sempre que você pensar em nós
Não tenho tempo pra guardar recordações

Mas o tanto que eu levar de você
Eu deixo um pouco pra me misturar
E não descanso pra você dormir

Eu já sei caminhar em tantas nuvens
E posso visitar de vez em quando o chão
Do alto do parque, por cima das árvores eu vejo você

Enquanto os pássaros sorriem para
Você procura o céu que não existe mais
Em São Paulo cinza, do Rio vermelho, em Recife azul

Mas o tanto que eu levar de você
Eu deixo um pouco pra me misturar
E não descanso pra você dormir

Eu troco a roupa, eu tomo um café
Me sento sempre na janela
E a minha casa é pra onde vão meus pés


(A Banda Mais Bonita da Cidade)


Da Série: Solidão



Existe um tempo que é necessário afastar-se da vida.

Seguimos vivendo, certamente, pois necessitamos das horas diárias de trabalho e de interação com os outros, mas também o nosso corpo, a nossa mente e o nosso espírito pedem descanso.

Sou propensa a viver, em muitos momentos, dentro de mim.

Busco a solidão para me encontrar.

Já não busco mais entendimento para tudo que me circunda, pelo contrário, já não busco mais entendimento para nada, apenas busco a captação do melhor que possuo aqui dentro, o meu melhor.

Acredito que sou capaz de ser, todos os dias, um pouco melhor.

Aprendo muito com as pessoas que passam na minha vida, mesmo quando algumas me trazem um sofrer absurdo, aprendo o que não devo fazer ao próximo para que não sintam a mesma dor que senti.

O mundo muitas vezes é cruel, as pessoas também.

Minha solidão não é triste, minha solidão é crescimento, faço dela uma escada para quando, enfim, chegar lá no topo, ser sim, pelo menos um pouco melhor do que sou e do que fui desde o momento que aprendi a caminhar.


Patrícia Belmonte


Nosso Café



Enquanto a chuva cai lá fora meu pensamento caminha lentamente até você.

As lembranças que circulam na minha memória são tão vívidas e reais que sinto como se você ainda estivesse aqui comigo.

Mesmo depois de tanto tempo teu cheiro ainda ronda meu quarto, minha cama, meus lençóis.

Nosso café não esfriou, a mesa continua posta, as xícaras nos seus devidos lugares e o bolo, feito na hora especialmente para você, ainda está quente.

A música ainda toca a sua espera.

E na minha recordação, ainda ouço e vejo a imagem como na primeira vez.

Ouço a campainha tocar e ao abrir vejo você encostado na lateral da porta com um olhar de menino, trazia em uma pequena embalagem croissant para o nosso café e me fazia feliz.

Você se foi, mas a imagem ficou.

O café e o bolo, a música, a cama e os lençóis continuam a tua espera.

E na incerteza da tua volta são nessas imagens e lembranças que sigo.

Talvez você nunca compreenda esse meu jeito de amar, mas nunca aprendi a amar sem entrega e quando decidi me entregar a você não foi apenas por um dia, uma semana, um mês ou um tempo qualquer, foi para sempre.

E esse para sempre, mesmo que apenas aqui no meu pequeno mundo, nos eternizará.


Patrícia Belmonte



sábado, 24 de agosto de 2013

Vinícius de Moraes: Soneto do Amor Total



Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Rio de Janeiro, 1951.


Vinícius de Moraes


Arte: As Duas Fridas (1939)



"Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade."

 
(Kahlo, Frida. O diário de Frida Kahlo: p. 287)






Vídeo: Drummond na voz de Drummond



Mundo Grande


Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos - voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
- Ó vida futura! Nós te criaremos.





Filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain



O filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (2001), do diretor francês Jean-Pierre Jeunet, ganhará uma versão em musical na Broadway. O compositor e tecladista da banda americana de neo folk Hen, Dan Messe, publicou na página da banda no Facebook que ele está trabalhando na adaptação do filme.

"Não é o segredo mais bem guardado, mesmo assim estou feliz em anunciar que fui contratado para adaptar 'Amelie' para a Broadway", escreveu Messe, acrescentando que a equipe de produção terá ainda o dramaturgo Craig Lucas e o compositor e letrista de musicais Nathan Tysen. "Mal posso esperar para compartilhar o resultado com vocês!"

Em entrevista à revista Paste, o músico falou sobre o desafio de recriar a marcante trilha, originalmente composta e executada pelo pianista Yann Tiersen.

"É uma das melhores trilhas de filme.", disse. "É uma das razões pelas quais eu amo o filme. Mas não é o que eu faço. Ele é um compositor muito diferente de mim. E eu não estou interessado em fazer música parisiense. Acho que não vou nem usar acordeão em minha versão. A música soa como se fosse minha. Mas, certamente, não farei uma música no estilo americano. Será algo hiper-romântico e brincalhão antes de que qualquer coisa. "

Embora Messe seja novato na Broadway, ele e seus colegas de Hem, Gary Maurer e Steve Curtis, já compuseram em 2009 a trilha da peça "Twelfth Night", de William Shakespeare, encenada no projeto "Shakespeare in the Park", em Nova York.

Dirigido por Jean-Pierre Jeunet e protagonizado pela atriz Audrey Tautou, o "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" acompanha a saga de uma jovem e inocente garçonete na capital francesa. Após uma infância superprotegida, ela surge na vida adulta com um profundo desejo de fazer o bem para as pessoas ao redor, enquanto luta para superar seu isolamento emocional.

Indicado a cinco Oscar, o filme foi um grande sucesso em língua estrangeira dos estúdios Miramax, arrecadando US$ 33,2 milhões nos EUA e, no mundo, U$$ 173,9 milhões.

(Via UOL Entretenimento)




 
 
 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Da Série: Minha Luz



Sou guiada pela luz do sol

Quando amanhece corro para abrir as janelas

Da casa, do corpo, da alma e do coração

É essa luz que me fortalece

É essa luz que me leva adiante

Repentinamente consigo perceber

Essa luz não vem apenas do sol

Essa luz vem de dentro de mim.



Patrícia Belmonte


Da Série: Poesia



Vivo de poesia para que a desilusão não me corte em pedaços...

E num último suspiro, através dela, ainda tento preservar meu coração.



Patrícia Belmonte


Da Série: Recomeços



Não sei se você percebeu

Mas estou excluindo a cada novo dia

Um pedaço seu da minha vida

Quem sabe assim

Em um tempo qualquer

Inesperadamente

Eu consiga te esquecer

Me refazer

E talvez até...

Recomeçar.

Patrícia Belmonte


Cacos no Caminho



Segue teu caminho sem olhar para trás e pode deixar que os cacos que você deixou nesse trecho da caminhada eu recolho.

Com insistência ainda tento remendá-los, mas é difícil viver colando cacos.

Talvez eu seja mais forte que você e com isso vou conseguindo, lentamente, limpar a sujeira da estrada.



Patrícia Belmonte



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Da Série: Amor



Me exorcize desse amor ilógico antes que os demônios me engulam.



Patrícia Belmonte



Aquela Música (Música)



Sabe aquela música?

Naquela manhã...

Uma das últimas que escutamos juntos.

Ainda toca aqui...

Assim como você.



Patrícia Belmonte

"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão."

(Carlos Drummond de Andrade)


Da Série: Saudade



A noite machuca, porque saudade dói.

Amanheça, só o que peço entre lágrimas, amanheça.

Porque amanhecer é analgésico, não cura, mas ameniza e distrai a dor até anoitecer novamente.



Patrícia Belmonte


Anunciação (Música)



Que a vida nos devolva tudo aquilo que as pessoas conseguiram nos tirar.



Patrícia Belmonte


Resquícios de Amor



O desgosto amargura, seca a gente por dentro e bloqueia para um tanto de coisas mais.

Mas esse mesmo desencanto, depois da derradeira queda, pode e deve virar o jogo para se transformar em trampolim.

O salto, mesmo na secura da alma e já descrente do jogo, pode te levar a lugares desconhecidos, novos, mágicos e quem sabe, com jeito e sensibilidade, ainda consiga não só te jogar para o alto, mas te fazer crer que diante toda a indiferença, sempre haverá resquícios de amor.



Patrícia Belmonte


Da Série: Amigos



Tenho amigos que já nem são mais amigos, pois ultrapassaram essa barreira, foram além em tudo o que significam para mim.

Tenho amigos que são preciosos demais, para serem apenas amigos.

Tenho amigos que são irmãos de alma e coração.

Tenho amigos que passaram apressados pela minha vida, mas sei que por onde estiverem ainda são amigos.

Tenho amigos que agarro com as duas mãos para não deixar nunca mais escapar.

Tenho amigos que me acolhem no pranto.

Tenho amigos que me impulsionam.

Tenho amigos que nos meus momentos mais insanos, vestem minha camiseta e gritam para o mundo de braços dados comigo.

Tenho amigos que não me deixam ir, que me prendem pelas pernas, que me seguram de qualquer jeito e me amam de coração aberto, sem pudor, sem preconceito, sem ressalvas.

E é essa vida repleta e cheia de belezas coloridas, que são os amigos, que me faz ser muito mais do que sou capaz de ser e ir muito além de tudo que sou capaz de sonhar.

Ter amigos é ser sempre mais e todos os dias melhor.


Patrícia Belmonte


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Da Série: Amor


Você aí

Eu aqui

Um amor absurdo vagando no meio de tudo

Uma mágoa descomunal

Um paradoxo agudo

E eu ainda vivendo

Sobretudo

Acreditando que sou sortudo.



Patrícia Belmonte 

Aparente Fragilidade


Não sou um anjo, passei bem longe disso, mas tenho asas.

Asas nos pés que me levam além, que me fazem correr, que me fazem voar, que me fazem sonhar.

Tenho um sol dentro de mim que brilha na forma de sorriso.

Tenho uma coragem absurda, oculta, disfarçada.

Tenho uma força que me faz mais, que me faz seguir.

Minha luta é destemida.

Possuo uma liberdade que não permite questionamentos.

Sou dona do meu ser, da minha vida e do meu querer.

Não se engane com a minha aparente fragilidade, pois grandes guerreiros nasceram da dificuldade.




Patrícia Belmonte




segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Na Companhia da Dor



Fiz da minha dor companhia.

Parece triste termos dor como companhia, mas se conseguirmos olhar com os olhos da esperança e da positividade, poderemos ver que a dor de hoje é sinal de beleza em algum momento de nossa vida.

Hoje ela é saudade, mas já foi casa cheia.

Hoje ela é tristeza, mas já foi contentamento.

Hoje ela é desânimo, mas já foi entusiasmo.

Hoje ela é desilusão, mas já foi fascinação.

Hoje ela é abnegação, mas já foi aceitação.

Hoje ela é menosprezo, mas já foi consideração.

E nessa infinidade de foi e não mais ser, me agarro as lembranças bonitas e faço da dor, apesar do desespero, minha eterna companhia, ocupando seu lugar.




Patrícia Belmonte

Da Série: Amor



Na minha credulidade
Vejo a vida passar
Acredito nas pessoas
E vivo a me magoar.


A crueldade humana
Vai além das aparências
Não se importa com as consequências.
E apesar disso tudo...


Continuo na minha docilidade
Porque viver por amor
É muito mais superior
Do que viver pela maldade.


Patrícia Belmonte

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Voz do Silêncio



Minha voz hoje silencia.

Depois de tantas tentativas de dialogar, de obter um entendimento da nossa história, por fim opto pelo silêncio.

Uma pausa necessária para a dor. Resolvi me fazer paz.

De todas as dores sofridas você foi a mais dolorida, que não encontrou cura, nem remédio e nem um novo caminho para amenizá-la.

E de tanto doer calou-se.

Calou-se porque o corpo padece, porque a alma pede descanso, porque o coração enfraquece.

Enquanto a voz se faz muda, a mente grita, berra, de forma ensurdecedora, enlouquecedora.

E a cada palavra não dita, maldita, a armadura se fecha e me vejo novamente no mundo frio, seco e solitário.

O espaço que você deixou aqui, não comporta mais ninguém.




Patrícia Belmonte



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Eternamente



Tem gente que dói na gente

Absurdamente

E a sensação que nos dá

Decididamente

É que vai doer todos os dias


Eternamente.



Patrícia Belmonte


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Da Série: Liberdade



Fechei o coração e me abri para a liberdade de ser minha.

Buscando me encontrar, ficou decidido e decretado; o amor será guardado em uma caixa grande, bem grande, para poder comportá-lo.

Ela será enfeitada com um laço de fita verde, na cor dos teus olhos, existindo assim, a possibilidade de em algum momento ser aberta, ou talvez, nunca mais.

Tudo que é seu vai ficar guardado para algum dia, para algum tempo, para alguma existência, para a eternidade.


Amor não escolhe o ser amado, amor acontece nos olhos, no sorriso, na vontade, na quentura dos corpos.

Amor é dado por prazer, por nós, não pelo outro, que nem sempre saberá o que fazer com o sentimento que recebe.

Amor é graça, é desassossego, é frio na barriga.

Amor de verdade nos faz criança outra vez.

É puro, é indefeso.

Por isso e muito mais devo guardá-lo, jamais irei desperdiçá-lo em um impulso qualquer, pois nada seria capaz de suprir esse sentimento que é todo seu.

Acredito na hora exata.

Acredito no tempo certo.

Acredito no eterno.

Se você não ficar na realidade, haverá de se instalar para sempre na lembrança.

Enquanto vivo no vazio de sermos, liberdade é a palavra que me define.




Patrícia Belmonte