Voando alto

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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Da Série: Sociedade



Quase ao final da leitura do livro da jornalista Daniela Arbex, “Holocausto Brasileiro”, deparei-me com a seguinte frase:

“No hospício, tira-se o caráter humano de uma pessoa, e ela deixa de ser gente. É permitido andar nu e comer bosta, mas é proibido o protesto qualquer que seja a sua forma.”

Segui refletindo sobre essa colocação e me encontro fazendo um comparativo com a nossa realidade geral, onde grande parcela da humanidade cega à visão de uma sociedade totalmente adoecida.

A desumanidade e o desrespeito ao próximo disseminam-se como larvas em todas as áreas e aspectos sociais.

Não basta gritar e em seguida silenciar entregando-se ao conformismo fantasiado de esperança.

Todas as lutas devem ser combatidas sem trégua, sem aceitação daquilo que nos é imposto mas não cabe. E não, simplesmente, forjando uma suposta adequação àquilo que não satisfaz.

Adequar-se as normas visivelmente disformes (distorcidas) é submeter-se a andar nu e comer bosta. A luta antimanicomial, no meu ponto de vista, vai além dos muros e grades de instituições psiquiátricas, em um mundo onde ‘o poder’ cega o discernimento de um povo.

Já escreveu o filósofo Michel Foucault em “A História da Loucura”:

“A ilusão pode curar do ilusório – enquanto somente a razão pode libertar do desatino. Qual é, assim, esse poder perturbador do imaginário?”


A partir disso sigo a refletir com a pergunta que não silencia: O que, de fato, é loucura?



Patrícia Belmonte


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