Nunca entendi a loucura ou a definição que alguns têm sobre
ela, a única coisa que sei é que sou taxada de maluca por diversas vezes. Na
maioria delas, pelos amigos, com carinho e admiração, porém algumas com
preconceito.
Na minha cabeça a sociedade julga como louco todo aquele que
pensa ou age de forma diferente dos padrões impostos por ela. Costuma
aliená-los em hospitais psiquiátricos e sanatórios sem direito ao pensamento
próprio.
Com isso não quero dizer que não existam doenças da mente,
poderia citar uma infinidade de transtornos que acometem muitos indivíduos,
alguns de nascença, outros que desenvolvem as doenças psíquicas durante
determinados momentos da vida, pois já existe a pré-disposição genética para
tais.
O que me incomoda é a maneira com que vejo o pensamento
diferente assustar aqueles que seguem determinados padrões sociais, mesmo que
isso não afete em nada a sua vida.
Posso relatar que tive contato direto com muitas pessoas que
apresentavam quadros psiquiátricos “anormais” e digo com o maior conhecimento
de causa, por experiências vividas que a grande parte deles foram as pessoas
mais humanas e amorosas que tive contato nessa vida.
O pensamento diferenciado é criativo, ele vive envolto em
uma aura que transcende os sentimentos, é um excesso de sentimentos que lhes compõem.
Amenizando os sintomas das doenças, diagnosticadas de fato,
o pensamento é quase sempre mais claro do que o daqueles que vivem dentro da
caixa de Pandora, como diriam os gregos. Aqueles pensamentos criados com a
cabeça alheia, seguindo padrões determinados por influências externas,
preconceituosas e discriminatórias.
Doenças mentais devem ser tratadas com respeito, assim como
são tratadas as doenças cardíacas, do metabolismo, cutâneas, imunológicas e
assim por diante.
Talvez possa ser mais difícil lidar com as pessoas que tem
doenças da mente, mas todo o trabalho que é feito com respeito e amor sobrepõe
as dificuldades.
Para crescermos como sociedade é preciso compreender que é
fundamental respeitar toda e qualquer diferença, seja ela diagnosticada como
doença ou apenas como um pensamento diferente do seu.
Tudo que a sociedade e o mundo em si precisam é de
humanidade e respeito ao tratar com o próximo.
Sempre tive dentro de mim a teoria de que o amor é construção e que estar apaixonado é uma das coisas mais belas da vida. Porém exige coragem e doação. Amar é ter muito mais coração espalhado pelo corpo e uma alma dançante a acompanhar-nos pela vida.
A arte é considerada loucura por aqueles que vivem presos em um labirinto fechado e desumano regido por uma sociedade opressiva, discriminatória e manipuladora.
Patrícia Belmonte
*Na fotografia Arthur Bispo do Rosário, artista negro, pobre e nordestino que viveu durante 50 anos em uma colônia psiquiátrica e cuja obra é amplamente conhecida no Brasil e no mundo.