Quando criança seus olhos eram de estrelas, não haviam nuvens no seu céu. Afinal toda criança tem olhos de luz.
Mas o tempo passou e o céu fechou.
Ela insistia em acender as estrelas empurrando as nuvens, que tentavam encobrir seu céu, com toda a força dos seus sonhos.
Descobriu que a vida adulta apaga estrelas do olhar, mas que sonhar era um ato livre e no qual era possível que as pessoas escapassem da escuridão.
Dentro dos sonhos derrubou muros e construiu pontes, regou flores e pintou a vida com cores alegres.
Mas não era permitido sonhar o tempo todo, era preciso viver...
E foi assim que resolveu encarar seus medos e enfrentar a escuridão, possibilitando os sonhos de conectarem-se a realidade.
Mesmo essa lhe cortando pedaços, ela aprendeu a reconstruir sua vida a cada final do dia.
Não bastava apenas dormir para sonhar e ver as estrelas, mas também necessitava acordar e cumprir os sonhos no brilhar do Sol, que com sua beleza a fazia reluzir da mesma forma que as noites.
Descobriu que sua força provinha do coração e só assim permitiu-se continuar olhando-se no espelho e refletindo os sonhos da criança, porém agora, na realidade e na força da mulher adulta que tornara-se.
O coração que batia em seu peito não era um simples órgão muscular a pulsar, mas sim um intenso canto de sereia a encantar.
Patrícia Belmonte

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