Cazuza já cantava: "Meus heróis morreram de overdose...", e concordo em parte com ele, pois muitos dos meus heróis morreram sim de overdose.
Não vivi a época que aprecio, sonhei com Elvis Presley no final de sua carreira, ouvia suas músicas e beijava enlouquecida (acreditando realmente que beijava-o) a capa do LP que trazia a sua fotografia.
Não tive tempo de me apaixonar por James Dean enquanto filmava Juventude Transviada e mesmo assim me apaixonei, ele estampa, entre outras imagens, a parede da minha sala até hoje.
Também não estava lá para ver a estrela de Marilyn Monroe despontar, mas ainda assim, posso admirar sua beleza e vê-la brilhar.
Hoje em dia meus heróis também estão morrendo, mas pelo tempo, tempo de uma passagem que se esgota.
Dois mil e quatorze tem sido um ano de grandes perdas, perdas de heróis insubstituíveis, perdas de mestres das letras, das palavras, das rimas, dos sonhos.
Foi-se Gabo levando suas flores amarelas e suas putas tristes.
Foi-se Ubaldo com suas palavras precisas em cada frase escrita.
Foi-se Rubem Alves e seus encantos, com sua forma lírica de espalhar amor.
E foi-se Ariano, meu grande Ariano, que tantas e tantas vezes me prendeu nas palavras quando tive o prazer de escutá-lo falar em suas inúmeras entrevistas e em sua espetacular, porque realmente fazia jus ao nome, 'Aula Espetáculo'.
Palavras escritas são eternizadas em folhas de papel e imagens nas telas e na memória, e isso me acalenta, terei sempre esses guias a me orientar nos livros e filmes que deixaram enriquecendo esse nosso tempo.
Falei anteriormente que o tempo esgota-se, mas entenda bem, apenas nessa passagem, pois ele segue, eles seguem, brilhando em outros céus, porque estrelas não se apagam jamais.
Patrícia Belmonte
* Deixo abaixo o vídeo da 'Aula Espetáculo' de Ariano Suassuna para aqueles que já viram e sabem que é sempre um novo espetáculo rever e para aqueles que ainda não viram terem a oportunidade de ver.
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