Voando alto

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domingo, 29 de setembro de 2013

Anjo Torto


Quando te vi pela primeira vez tive a certeza que era você que viria para domar meu coração.
Coração ferido não se rende a ninguém, mas naquele momento senti a remissão.

A partir daquele instante meus olhos não tiveram outros rumos e meu pensamento se tornou unilateral.
Se eu tivesse que definir as características, descrever a sensação que um anjo me traz e fazer algum pedido, eu colocaria no papel a cor dos teus olhos, o negro dos teus cabelos, já com um toque sutil do tempo nas mechas grisalhas, o sorriso malandro, a alegria que cobre dores que sei que traz no coração, pois todos nós carregamos marcas e cicatrizes, o jeito de menino, os medos, o toque lento, meio sem querer, meio receoso, o beijo que sutilmente toca minha boca e deixa um gosto de quero mais...

Se eu tivesse que definir um anjo eu gritaria o teu nome aos quatro ventos, eu pediria proteção, aconchego, carinho...
Eu pediria tua boca, teu toque, tua pele, teu corpo quente sobre o meu.

Eu pediria momentos intensos de amor, de sexo compulsivo, de coração acelerado, de suor...
Eu pediria uma noite.

Eu pediria a esse anjo apenas uma noite para poder definir o porquê das mãos trêmulas na tua presença, o porquê do coração palpitando quando te vê, o porquê da tua passagem no meu caminho.
Se eu pudesse definir um anjo eu diria enfim, meu anjo é torto, problemático, safado, mas possui uma dose extrema de não sei o que, que me deixa sem fala, sem rumo, sem ar.

Eu diria que o anjo que circula pelos meus sonhos, meus desejos e minhas vontades mais secretas e ardentes tem nome próprio, residência fixa, documentos e um coração maior que ele mesmo.
Eu pediria uma noite, apenas uma noite...

Pois sei que os anjos tortos, como você, trabalham melhor à noite.

Patrícia Belmonte



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